sexta-feira, 16 de abril de 2010 - Gestão Salta Brasil
Boletim 08/2010
Pronunciamento do Presidente
Logo após a Assembléia Geral da CBPq ocorrida em 19 de março passado, muitas dúvidas surgiram entre nossa comunidade a respeito das decisões lá tomadas. Algumas nitidamente bem intencionadas e fundamentadas, outras, meras especulações com sinais nítidos de puro desconhecimento de causa e pouca ou nenhum conhecimento de que é realmente nossa entidade organizacional. Como o tempo não para, outro fato relevante ocorreu, um segundo salto do Sábia sem pára-quedas, suscitando mais e mais dúvidas e especulações. De maneira geral o sistema da CBPq funcionou muito bem nas explicações através de seus ouvidores, diretores e técnicos, aos quais eu agradeço o empenho e dedicação, mas, por consciência e filosofia desta minha gestão em manter a proximidade com todos os filiados, estava faltando o meu pronunciamento. Em primeiro lugar quero pedir desculpas pelo demora em fazê-lo, motivos de ordem pessoal tomaram e estão tomando meu tempo, me impedem uma dedicação maior e merecida à CBPq e como devem saber, meu cargo é voluntário e não remunerado, nada disto no entanto me dispensam do dever de deixa-los informados. Esta mensagem é integralmente de caráter pessoal. Dito isto, vamos aos pontos.
Grande polêmica surgiu quando da publicação do Código Esportivo reformado por um grupo de instrutores notáveis e homologado pela última AGE da CBPq. Embora menos de 15% do texto tenha sofrido reformulações profundas em relação ao antigo, a repercussão deu ao entender que apresentamos um “Novo Código” o que em verdade não foi, apenas reformulamos e modernizamos alguns pontos que estavam desatualizados e alinhamos as Categorias ao mandatório em todo o mundo através da FAI/IPC, de CAT de AI a D, extinguindo a E que só existia aqui no Brasil. De positivo eu vejo que muita gente que jamais havia lido o Código Esportivo ou mesmo sequer sabia de sua existência, leu-o pela primeira vez após este, digamos, incentivo, e muitas vezes opinou com surpresa sobre itens e artigos que já estão em vigor há muitos anos e como tal deveriam ser do conhecimento, merecendo há bastante tempo comentários e sugestões.
Alguns pontos criticados sequer são técnicos, mas apenas princípios sociais de bons costumes que dignificam qualquer grupo social civilizado que queira ser respeitado, como o caso de saltar com vestimentas. Francamente acredito que a nossa célula esportiva social preze por respeito, pelo menos a maioria civilizada.
Entre alguns pontos técnicos relevantes, que inclusive foram respondidos por ouvidores, um trata do uso de câmeras de vídeo por atletas categorizados. Algumas pessoas confundiram a exigência com um possível risco ao “volume” a ser transportado pelo atleta, enquanto a real preocupação técnica é a possibilidade de distração que o uso de tal equipamento pode causar a esportistas menos experientes, obviedades que fogem ao raciocino de um pára-quedista menos experiente ou que não lide com a formação de alunos. Pontos legais também causaram críticas profundas e debates acalorados, tais como a idade mínima para saltos tandem e mesmo para a iniciação ao esporte, estes itens podem ser mais bem esclarecidos por advogados, médicos e técnicos do setor, o grupo revisor do Código Esportivo ateve-se aos conselhos e orientações passados por estes profissionais de forma a não deixar a Diretoria, técnicos, pilotos e instrutores a mercê da lei maior. Temos conhecimento de acidentes acontecidos no exterior que acabaram deixando dirigentes em má situação por não terem se atentado destes problemas.
Algo recorrente e sempre contestado voltou à pauta nestas discussões, a filiação obrigatória a uma Federação e a Confederação. Aparentemente não há o impeditivo de alguém que não participe de grandes eventos como boogies, encontros, campeonatos e recordes tenha de ser obrigatoriamente filiado, mas como é reconhecido que nosso esporte envolve risco de vida mesmo quando praticado 100% dentro das normas de segurança, tal filiação se faz necessária para que as entidades organizacionais tenham capacidade operacional de conduzir atos a fim de reduzir os possíveis incidentes e acidentes e ter o conhecimento da massa crítica com que lidam para determinar as ações necessárias ao combate destes acidentes e para o desenvolvimento de um paraquedismo sadio, vibrante, competitivo e acima de tudo seguro. A exigência serve principalmente para respaldar perante a lei os dirigentes, operadores de aeronaves, pilotos e organizadores de áreas de salto aonde por infelicidade venha a ocorrer alguma fatalidade.
Temos muitos exemplos pelo Brasil afora de pessoas ou entidades que foram responsabilizadas criminal e judicialmente por fatalidades ocorridas em atividades sob sua responsabilidade. Quando os envolvidos estão sob a guarda de um credenciamento CBPq a defesa jurídica e criminal dos supostos responsáveis fica resguardada pelo nosso Código Esportivo que tem nos últimos tempos municiado fortemente tanto o Ministério Público como os Delegados e Juizes das diversas instâncias de nossa Justiça Maior tanto pelo bem aos instrutores cuidadosos e cônscios de seus deveres como pelo mau aos irregulares. Lógico que para a sobrevivência ativa da entidade é importante a anuidade e para a continuidade organizada e segura do esporte, é importante a existência de uma entidade séria.
Só com a participação de todos os envolvidos, sejam atletas de competição ou apenas esportistas adeptos praticantes de final de semana, conseguiremos continuar a crescer e sermos respeitados, é importantíssimo termos todos cientes de sua real importância ao sistema esportivo nacional. O custo anual pessoal da filiação é inferior ao custo de um único salto e o benefício gerado que cada filiado faz ao nosso esporte é superlativo e extremamente necessário quando somado a todos. Diferente do passado, a enorme colaboração que tivemos de todos nos três últimos anos nos proporcionou chegar até onde chegamos. Hoje, diferente de anos atrás, somos uma entidade nacional e mundialmente respeitada no aerodesporto, participante de todos os fóruns aéreos e aerodesportivos do país e do mundo, seja como membro efetivo e de maior importância da FAI/IPC (Federação Aeronáutica Internacional/Comissão Internacional de Paraquedismo) e da CAB (Comissão Aerodesportiva Brasileira) seja a nível governamental como uma das duas únicas entidades do aerodesporto com cadeira no Conselho Consultivo da ANAC (Agencia Nacional da Aviação Civil).
Com a questão da filiação obrigatória confundem-se o ponto que considero como a maior de todas as injustiças cometidas contra a atual gestão da Confederação. Cometem aqueles que dizem: “a CBPq não faz nada” pelo nosso esporte e bem por isto não acham necessário a regularização. De certa forma é um fato perdoável por que normalmente aqueles que assim nos acusam, são neófitos no esporte, praticantes episódicos que não freqüentam grandes eventos patrocinados e/ou apoiados pela CBPq e suas entidades filiadas, as Federações. Fora das áreas regulares suas atividades no paraquedismo limitam-se a emitir contundentes opiniões contra nossa organização sem entender bem o que e por que atacam, são aqueles que costumam ser chamados aqui pelas áreas do sul do Brasil de “águias da internet”, ou seja praticantes para quem a cada salto realizado, dois milhões de espaços na internet são digitados. Mas mesmo estas pessoas merecem meu respeito e atenção, pois como paraquedistas que são, embora eventuais, são seres diferenciados como todos nós que pelo menos uma vez na vida nos lançamos ao espaço confiando na tecnologia do homem e na justiça da Deus. A eles e todos demais relaciono um pouco do "nada" que a CBPq faz.
-Desde setembro de 2007 adquirimos e mantemos funcionando nossa sede própria no CNP em Boituva (apesar do Presidente residir em Curitiba).
-Nos últimos três anos todas as modalidades competitivas de paraquedismo praticadas no Brasil tiveram seus campeonatos nacionais realizados e reconhecidos pelo Ministério do Esporte, inclusive a Precisão, modalidade que há mais de 14 anos não ocorria. Já temos definidas as datas de todas as competições deste ano.
-Criamos um novo sistema de gestão que começou a funcionar a partir de abril de 2007, onde mais de 50 pessoas trabalham e respondem pela CBPq, sendo que 40 delas são diretamente eleitas pelos atletas categorizados por meio de voto secreto e direto a cada dois anos, exemplo único de entidade confederativa oficial em todo país. Quem realmente quiser participar da CBPq ao invés de simplesmente criticar, pode pleitear sua candidatura a um dos Comitês e participar de dentro do sistema. Qualquer graduado tem este direito.
-Organizamos e estamos realizando o novo recorde brasileiro de maior formação em queda livre, sendo que foram executados magistralmente dois traning camp em Taubaté inclusive com a participação de helicópteros do Exército Brasileiro.
- Fornecemos apoio técnico ao Ministério Público, Justiça e Instrutores quando necessário nas ocasiões de acidentes e/ou incidentes graves.
-Modernizamos continuamente as normas e regulamentações de nosso esporte através de instrutores e notáveis e realizamos as homologações anualmente nas Assembléias Gerais.
-Participamos com representantes oficiais das reuniões trimestrais da ANAC, bimensais da CAB, anuais da FAI/IPC e da COLPAR, sempre mantendo nossa entidade atualizada e possuidora de elevado conceito nacional e internacional.
- Fornecemos apoio documental a atletas participantes do Bolsa Atleta e Lei de Incentivo ao Esporte.
-Apresentamos Ranking técnico anual de atletas de rendimento por modalidade.
-Mantemos a comunidade sempre informada através dos boletins quinzenais ou em períodos menores ainda.
- Deixamos abertos canais de comunicação diretos com a presidência através do mail presidente@cbpq.org.br ou pelo telefone 41 9243 0946; da mesma forma existe o canal direto com o setor de cadastros com o Diretor Administrativo pelo mail cadastros@cbpq.org.br ou pelo fone 41 9243 0946.
Estes são alguns dos poucos “nadas” que a CBPq realiza e realizou até aqui nesta gestão. Em minha modesta opinião creio que fomos longe, mais a fazer sempre tem e terá a ser feito, mas sem querer parafrasear com ninguém, em meus 35 anos como pára-quedista nunca a CBPq esteve tão ativa e tão aberta a seus filiados.
Agora sobre o salto do Sábia. A posição oficial da CBPq já foi apresentada meses atrás quando ele realizou este feito pela primeira vez, continuamos com a mesmíssima posição a qual ainda esta postada em nosso site, nada mudou e seríamos repetitivos se outra vez nos manifestássemos oficialmente sobre este assunto. Porém, como esta mensagem é de caráter pessoal deste presidente, dou a minha opinião à integra do programa que apresentou entre outros assuntos relevantes sobre instrução de pára-quedismo, o salto do Sábia. Para mim foi o melhor programa que já vi em toda a história da televisão brasileira tratando de esporte pára-quedismo. Altamente técnico e muito bem elaborado, apresentou durante 65% do tempo um curso de formação AFF ministrado ao repórter, demonstrando todas as exigências e necessidades para ser formado pára-quedista (inclusive a filiação a FEPARJ e CBPq), as aulas, tempo de treinamento em solo e o salto bem sucedido. Na segunda e menor parte aconteceu o salto polêmico, mas se deixarmos a má vontade e o eterno ranço crítico de lado, conseguiremos ver que ao início deste desafio, o desafiante informa que o que esta fazendo não é pára-quedismo é o que podemos chamar de uma performance semelhante aos feitos por dublês e participantes do "Globo da Morte" e coisas afins. Mas, embora eu pessoalmente seja contra o enquadramento desta atividade no Código Esportivo, a atual forma de gestão da CBPq permite que o Comitê de Instrução & Segurança ou qualquer outra Federação afiliada ou ainda um grupo de atletas que se considere ofendido, faça e encaminhe uma denúncia ao STD para que analise o fato e tome as medidas necessárias. Creio que um dia aprenderemos o quanto podemos e que a CBPq afinal de contas somos todos nós.
Finalizo este “tratado” lembrando que a minha atual gestão encerra na segunda quinzena de março de 2011. Nada me impede de pleitear uma nova reeleição visto que nosso atual Estatuto é omisso quanto a isto, mas se alguém estiver determinado a me substituir e quiser apresentar candidatura, gostaria de te-lo aqui ao lado, mesmo que divergindo de minha forma de conduzir, mas vendo como funciona atualmente esta grande entidade e de certa forma dando continuidade a verdadeira revolução que fizemos na CBPq.
Visitem nosso site: http://www.cbpq.org.br/
Um excelente final de semana a todos
Jorge Derviche Filho - JOTA
Presidente da CBPq
07 de Maio de 2010