Com toda razão, a comunidade pára-quedista nacional pede uma posição forte da CBPq em relação aos três acidentes fatais que ocorreram este ano. Nossa entidade, dentro da legalidade e de suas possibilidades, esta envidando esforços para responder a altura. Porém, indubitavelmente, carece de recursos. Ser cobrada pelo seu dever é algo natural e nada inesperado; a CBPq existe para isto. Uma de suas missões, provavelmente, a mais importante, é zelar pela segurança do esporte entre seus praticantes, sejam veteranos ou principiantes. Difícil será ela cumprir seu dever, sem que receba os dividendos a que tem direito para fazer isto acontecer.
Estimamos que hoje, anualmente, entram ou praticam pára-quedismo, cerca de 8.000 (oito mil) atletas, embora seja a larga maioria alunos em instrução; pelo menos 2 (dois) mil atletas categorizados compõem este número. Em qualquer área de salto que freqüentamos, verificamos uma quantidade enorme de decolagens, sejam com atletas categorizados, sejam com alunos em instrução. Seria uma obrigação de todo praticante, aluno ou não, cadastrarem-se na CBPq. Além de ser uma forma de conhecimento natural da potencialidade do nosso esporte (pois número elevado de praticantes possibilita maior facilidade em captação de patrocínios a quem quer que seja); o valor das anuidades cobradas habilitaria a um bom desempenho dos trabalhos da CBPq. O valor atual da taxa é irrisório em relação ao custo do esporte. Esta pequena participação individual para com a entidade organizacional representa muito, quando somada a todos os recursos recebidos.
Embora tenhamos como certo este número elevado, 8.000 praticantes/ano, apenas uma pequena parcela vinculam-se formalmente à entidade, nunca mais de 15% de atletas durante o ano inteiro. Esta inadimplência gera uma profunda falta de recursos e com isto uma clara deficiência de trabalho da CBPq.
A CBPq é solicitada para inúmeras atividades administrativas. Uma das mais importantes é a análise e prevenção de acidentes. Atualmente, às voltas com as três lamentáveis fatalidades, nossa intenção será ir além de uma simples sindicância, a fim de que seja determinada as suas causas, criar normas e rotinas para que não se repitam, aumentando com isso, a segurança para todos nós praticantes. Reconhecemos que em passado recente, a nossa entidade, justa ou injustamente, não gozava de credibilidade; não vamos advogar em causa de ninguém, pois não nos compete. Mas nossa meta é mudar esta imagem junto à comunidade pára-quedista nacional, por meio de atos e não de meras palavras.
Logo após assumirmos esta nova gestão, entre outras importantes ações: modernizamos o Estatuto, abrimos as portas da CBPq para contactos diretos com os atletas, criamos 8 (oito) Comitês de trabalho, pelo menos a cada 15 (quinze) dias emitiremos um Boletim sobre a condução dos nossos trabalhos, atualizamos nosso site e colocamos nele nossa PRESTAÇÃO DE CONTAS, com acesso aberto a todos atletas regularizados com a entidade. Se antes havia dúvidas de como as tais anuidades eram gastas, agora estas dúvidas deixam de existir, ao menos para aqueles que contribuíram, se concordam com os gastos, tudo bem, caso contrário, podem reclamar diretamente a este Presidente ou a qualquer outro setor da entidade, por intermédio de ouvidores, cargos também criados por nós.
Neste momento importante gostaríamos muito de receber a reciprocidade dos atletas e Federações, a entidade pode fazer muito e certamente muito será feito, mas precisamos de recursos e da compreensão de todos.Pretendemos enviar técnicos para apurar e analisar acidentes, onde for preciso, assim como já determinamos aos Comitês de Instrução & Segurança e ao de Equipamentos & Manutenção fazer um plano de viagens de fiscalização. Temos algum recurso para isto, mas para a continuidade e real execução deste trabalho vai depender da resposta que obteremos dos atletas, dos Clubes e das Federações, pois evidenciará a credibilidade que estas pessoas físicas e jurídicas tem na CBPq.
05 de Junho de 2007